COBOGÓS: conheça a história e veja 11 projetos inspiradores

COBOGÓS: conheça a história e veja 11 projetos inspiradores

Os cobogós são estruturas vazadas que favorecem a ventilação e o aproveitamento da luz, com muito charme e design

Aproveitar a luz e a ventilação sem abrir mão da privacidade e muito menos de um charme arquitetônico. Essas são as principais funções dos cobogós, elementos vazados, originalmente feitos de cimento e tijolos.

A criação tem o gingado brasileiro com uma pitada gringa. O surgimento data dos anos 1920, em Recife, mas a ideia veio de três engenheiros: Amadeu Oliveira Coimbra, de Portugal, Ernesto August Boeckmann, da Alemanha, e Antônio de Góis, do Brasil. A palavra cobogó, portanto, veio da junção das primeiras sílabas dos sobrenomes dos criadores. Enquanto isso, a inspiração é oriunda da cultura árabe, que conta com o uso de painéis de madeira semiabertos para conectar e ao mesmo tempo selar ambientes.

Mesmo tendo sido criado no início do século 20, os cobogós começaram a pipocar pelo resto do país na década de 1950, quando foram difundidos por Lúcio Costa. Por isso, eles misturam a bossa modernista com detalhes da arquitetura colonial, criando uma estética cheia de identidade.

Atualmente, as estruturas são reproduzidas em uma série de materiais diferentes como cerâmica e madeira. Para inspirar, listamos 11 projetos que apostam nos cobogós. Confira.

1. Dividindo o hall de entrada da sala de estar deste apartamento no Rio de Janeiro, o cobogó moderninho foi projetado pela arquiteta Patricia Netto, que orquestrou a reforma do local. O elemento destaca a paleta sóbria com nuances de azul e compõe com resto dos móveis de madeira que preenchem o living.

Na sala de estar, rasgos de iluminação vão da parede ao teto. O cobogó que marca a entrada foi desenhado pela arquiteta. Sala e poltronas da Finish Móveis.  (Foto: Denilson Machado/Divulgação)

2. A saída inteligente do uso da divisória vazada neste apartamento localizado em Taubaté foi aplicar o cobogó sobre o bufê da sala de jantar que ganhou múltiplas funções. “Desenhei a divisória de madeira apoiada sobre um bufê com dupla utilidade: ele recebe pequenos objetos junto à porta de entrada e guarda a louça pelo lado da sala de jantar”, conta a arquiteta Andrea Murao, responsável pelo projeto.

O cobogó de padrão chevron é desenho da arquiteta e serve para delimitar o novo hall de entrada do apartamento (Foto: MCA Estúdio/Divulgação/Produção: Núria Uliana)

3. O calor não é problema para este apartamento em Brasília. Os arquitetos da CoDa Arquitetura somaram os brises de concreto e esquadrias aos cobogós para favorecer a ventilação no interior, eliminando paredes em excesso e abrindo a planta do apê. Na suíte principal, os elementos criados no século 20 despertam os moradores com luz natural e verde em abundância. Ali, foi retirado um trecho de alvenaria da construção original, que separava o exterior do interior.

SUÍTE | Cobogós à mostra no quarto de casal: sem a parede de vedação, sobrou espaço para a criação de um pequeno escritório e do canto de leitura. Uma folha de vidro e cortinas opacas fecham a passagem de vento e claridade, quando necessário (Foto: Joana França/Divulgação)

4. Também no Distrito Federal, essa casa projetada pelo escritório 1:1 arquitetura:design usa os cobogós para ventilar, aproveitar claridade e criar efeitos de luz e sombra no interior da sala, que é conectada à fachada. “Na fachada poente foram empregados os cobogós com desenhos triangulares, sobrepondo as portas de vidro. Eles criam efeito e resguardam o interior da casa”, explica o arquiteto Eduardo Sáiniz.

Elementos vazados. Os cóbogos filtram os raios de sol e permitem a ventilação cruzada quando abertos os painéis deslizantes de vidro, na sala de estar desta casa projetada pelo escritório 1:1 arquitetura:design (Foto: Edgard Cesar / Divulgação)

5. Em São Paulo, no apartamento arquiteto Lula Gouveia, sócio do SuperLimão Studio, e da fotógrafa Maíra Acayaba, pode-se ver um balanço entre o contemporâneo e o retrô dentro de uma paleta neutra. Por todos os cantos, destacam-se peças de uso industrial, enquanto, na cozinha, o piso concretado monolítico e a bancada de concreto chamam a atenção. Para controlar o vento, que penetra pelos cobogós, vidros deslizantes foram instalados acima da pia.

Acima da pia e do fogão, embutidos na bancada de concreto, vidros deslizantes barram o vento que entra pelos cobogós. Os armários têm estrutura de estante metálica de escritório com portas de compensado naval da Imagil (Foto: Maíra Acayaba / Editora Globo)

6. No apê de apenas 38 m² em São Paulo, os cobogós aparecem como solução de aproveitamento do espaço. A parede curta amplia o espaço e eleva a decoração industrial a outro nível. A ideia veio dos escritórios Tripper Arquitetura e Elmira Nogueira + Julia Chagas, que misturaram vigas expostas, móveis de metal e madeira pínus com o elemento do século 20.

Uma parede pequena de cobogós, modelo Sphere da Elemento – à venda na Texthura Y Cor, separa o quarto do living sem obstruir a vista (Foto: Julia Ribeiro/Divulgação)

7. A arquiteta Barbara Dundes soube ponderar a dúvida da moradora, que queria integração entre os cômodos, mas tinha dúvidas quanto a retirar todas as paredes. Para isso, ela utilizou o cobogó entre a sala de jantar e a cozinha.”Ele permite a passagem de luz, mas impede a visão parcialmente”, explica a profissional sobre o apê reformado em São Caetano do Sul.

SALA DE JANTAR | Cobogó, modelo Eclipse, da Manufatti, separa cozinha e living sem impedir a iluminação dos espaços. Mesa e cadeiras da Ateliê Petrópolis. Pendentes da Lustres Irie (Foto: Julia Ribeiro/Divulgação)

8. Para misturar influências de todas as cidades onde viveu o proprietário deste apartamento, os profissionais do escritório Yamagata se concentraram em valorizar o acervo de obras de arte do morador, sugerindo um novo layout. Para continuar a veia artística espalhada por toda a planta, a cozinha ganhou tons de azul e cobogós cheios de personalidade.

cozinha-balcão-azul-cobogós (Foto: Juliano Colodeti – MCA estúdio)

 

8. Brutalista e retrô, essa casa em Barueri foi projetada por Thais Aquino. O concreto domina a maioria dos ambientes, enquanto acabamentos e móveis rústicos criam harmonia na área externa, que conta com fogão à lenha. As fachadas de todo o perímetro possuem aberturas, que valorizam a luz natural e a paisagem do condomínio. O uso dos cobogós no espaço de lazer, portanto, suaviza a bancada de concreto e combina com os móveis vintage.

cobogo-mesa-de-centro-concreto-coluna (Foto: Edu Castello/Editora Globo)

10. Reformado por Cynthia Ferreira e Michelle Machado, do escritório Aonze Arquitetura, esse apartamento em São Paulo contou com o quebra-quebra das paredes para conectar e, ao mesmo tempo, dividir a entrada do estar. No projeto, o cobogó funciona como gancho entre os sófas modernos da sala e os móveis antigos do corredor do hall, como a escrivaninha de madeira equipada por uma máquina de escrever.

aonze-arquitetura-divisã-cobogó (Foto: J. Vilhora/Divulgação)

11. O apê do arquiteto Filipe Ramos faz referência aos lofts tradicionais de Nova York, cidade onde trabalhou por seis anos. Com apenas 57 m², o imóvel em São Paulo conta com estratégias de divisão inteligentes, como uso dos cobogós para separar o living do quarto.

Integração | O painel de cobogó Paralelo 37, 2 x 24 x 8 cm, da NeoRex, separa o quarto e a sala. Ao fundo, a porta de correr para a varanda possui três folhas de vidro em perfil de alumínio deslizante. Poltrona alta garimpada em loja de antiguidades  (Foto: Maíra Acayaba)

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